Trajetória Profissional década de 20. Século XX
Fazendo parte de um
momento histórico, o Pastor João Daniel pode ser considerado um dos
desbravadores, disseminador da evangelização e organizador de igrejas, e que
contribuiu para o Reino de Deus aqui na Terra. Observando o levantamento
realizado por Azevedo (2004), em 1910, a população Batista no Brasil chegava a
8.102 membros arrolados, já entre 1920 a 1950, período em que meu avô, João
Daniel viveu, teve um crescimento significativo, Onde, em 1920, a população
batista no Brasil era em torno de 18.872, e até a morte de João Daniel (na
década de 50), aproximadamente 1950, estima-se que era em torno de 109.233 membros arrolados. Portanto, conhecer um
pouco de suas contribuições é também conhecer um pouco do contexto batista
destas épocas. Segue abaixo, algumas de suas contribuições e participações
retiradas do Jornal Batista e de citações do livro de José dos Reis Pereira.
Anos:
·
1920
:
–
Recife (Pernambuco) – Participação como Vice-presidente da União
de Mocidade da I.Batista da rua Imperial, na reunião pelo primeiro aniversário no dia
20 de julho. Abertura da reunião pela presidente D.Maria Mignac com o hino 209
e Salmo 1, e depois oração por João Daniel, posse da diretoria. Sendo ele
reeleito para a mesma função. Ainda seminarista. (O Jornal Batista, 19/08/1920, n.33)
–
Recife (Pernambuco) – Relatório de João Daniel sobre festa
realizada pela jovem Congregação de Areias, com mais ou menos 200 pessoas, sob
sua orientação executaram uma parte literária pelas crianças e senhoritas. O
sermão foi feito pelo pastor Orlando Falcão. Acredita que ali se formará a
décima Igreja Batista de Recife. Três Morros, 22 de dezembro de 1920. (JB,
13/01/1921, n.2, p.9)
·
1921:
–
Recife (Pernambuco) – Conclui o curso no Seminário Batista do
Norte do Brasil.
·
1922:
– Recife (Pernambuco) – participa
do Movimento Radical, que dividiu os batistas do Norte do Brasil, especialmente
em Pernambuco. (PEREIRA, 1982, p.113) Pelo próprio espírito da época, de
caráter nacionalista, algumas das questões levantadas, segundo Pereira (1982),
foram: desejo de líderes brasileiros, espírito nacionalista que sucedeu a
1ª Guerra Mundial com rejeição dos norte-americanos, restrição dos obreiros
quanto aos gastos de recursos na obra educacional em detrimento de necessidades
maiores na evangelização, e o controle absoluto dos recursos financeiros
provenientes dos EUA por parte dos missionários não brasileiros, entre outros
aspectos. Este Movimento teve
vários desdobramentos nos anos seguintes.[1]
– Recife (Pernambuco) – Relatório
sobre a Convenção Batista Regional de todas as igrejas batistas de Pernambuco e
Paraíba, mês de outubro, na cidade de Gravatá[2]:
Gravatá
(...) é uma das mais lindas desse belo rincão nortista. Está edificada numa
extensa planície banhada por um regato que tem o nome de Pojuca. Dentre as
montanhas que a cercam, destaca-se uma, em cujo ápice se eleva uma cruz de
madeira, já um pouco danificada pelo tempo (...) Do alto dessa bela colina
pode-se ver Gravatá quanto é bela e encantadora. (J. Daniel, JB-30/11/1922,
p.10)
Embora
a paisagem da cidade fosse hospitaleira, o mesmo não aconteceu 15 dias antes da
chegada destes obreiros na cidade, onde aquela igreja sofreu pressão de alguns
católicos que não aceitaram a sua pregação na praça e pediu ao Delegado de
Policia que acabasse com aquela reunião. Porém, o pastor da Igreja solicitou
garantias do Exmo. Dr.Sergio Loreto, digno Governador do Estado, que
entregou o caso ao Desembargador Arthur da Silva Rego, Chefe da Polícia, que
por sua vez enviou um ofício à autoridade de Gravatá exigindo o cumprimento da
Constituição. Por isso, a Convenção aconteceu tranquila e no “dia 3 de novembro
às 12 ½ horas, estávamos nos despedindo dos bons e operosos irmãos daquela
Igreja” (J. Daniel, 1922).[3]
[1]
Segundo Azevedo (2004), ele considera que este movimento chamado “Radicalismo”,
que aconteceu entre as décadas de 20 a 40, consistiu mais em questões
administrativas do que teológicas. Na expectativa de que os brasileiros eram
capazes de gerir os negócios da denominação no Brasil. Mas, não representou
qualquer ruptura em relação à tradição norte-americana.
[2]O nome da cidade deriva-se do tupi Karawatã ("mato
que fura"), porque havia a predominância de planta da família das
bromélias, e que também é conhecida por caraguatá, caroatá, caroá e gravatá.
[3]
Para ler o relatório completo, favor ver o Jornal Batista on line, do dia
30/11/1922, n. 45, p.10.
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