Trajetória Profissional década de 20. Séc.XX

·       1928:
- Uma viagem evangelística as colônias de Castanhal-
- A Igreja de Castanhal há muito tempo sustenta uma congregação num lugar chamado Iracema, a margem do Igarapé Marapinim, que apesar de distar uns trinta e 8 kilômetros da sede da igreja, é uma das mais futurosas que tenho conhecido. Foi uma reunião de grande poder espiritual.Estávamos em tempo de regressar. E as 3 h da madrugada estávamos tomando o café de despedida. Ainda havíamos de atravessar o igarapé e igapó, numa extensão de aproximadamente 500 metros por cima de estivas. Apesar de alguns terem tido medo de servir de almoço aos jacarés, transpomos a ponte perigosa com pose de acrobatas e continuamos a viagem alegres e em perfeita paz até Castanhal. (J.Daniel ao JB de 19/07/1928).

- Na I. Batista de Villa Isabel – oficializou casamentos e presidiu o Concílio que consagrou o Pastor desta igreja, Nehemias Castro, e com a participação do Coro da 1ªIgreja de Belém, sob a regência de Emília Gama e Almerinda Gama. (JB, 3/05/1925, p.15 e 31/05/1928, p.15)
- Viagem Bimestral às colônias de Castanhal- JB, 27/09/1928, ele nos conta um pouco sobre esse campo: “Na viagem bimensal às Colônias de Castanhal passamos 2 dias com os laboriosos colonos. Estão no tempo da derrubada. Hora a hora ouve-se a queda de formidável e gigantesca sumaúma[1], ou outra árvore secular, cujo estrondo é como a lamentação sinistra dum gigante que se abate.”
-Na 1ª I. Batista de Belém – acontece:
v Dia 6/5/1928 – é batizado por ele, Ebenézer Gomes Cavalcanti aos 17 anos, que futuramente além de se tornar pastor, será escritor e articulador do Jornal Batista, e em 1940, segundo Reis Pereira (1982) um “autêntico” representante do Radicalismo Batista no Brasil.
v Dias 14 a 16/11/1928 – 3ª Convenção Batista da Amazônia, segundo Nehemias Castro (JB, 6/12/1928), o pastor J. Daniel anuncia no “Correio Doutrinal”, de Recife, esta assembleia religiosa. A Assembleia contou com 26 mensageiros  de 11 igrejas. Sendo o Pastor João Daniel eleito o 2° Secretário. Dentre os pareceres da Convenção, a partir de comissão composta de obreiros dos campos da Amazônia e Pará, foi deliberado que os dois campos deveriam trabalhar juntos até novembro de 1929, e que a partir desta data fosse organizada uma convenção no Pará e outra no Amazonas, alegando algumas razões como: o dispêndio de muitos dias para os obreiros, despesas de viagem, observando o monstruoso aumento das passagens do Lloyd e a possível imitação pela Amazon River. (...) Então ele termina o relatório: “Glória, pois a Deus e ao Salvador Jesus Cristo, pelo futuro risonho do seu trabalho na Amazônia!” (JB, 27/12/1928, p.14).  Por sua vez, Nehemias acrescenta em sua carta ao Jornal Batista do dia 20 de dezembro de 1928, que o Campo denominacional paraense foi representado pelas Igrejas Batistas de Belém, Castanhal, Inhangaby, Santarém, Obidos (Igarapé-Assú) e Jurity (Curumurury). Representados respectivamente, pelo pastor João Daniel, diáconos Augusto, Manoel Vicente e Severino Joaquim; diáconos João Justino e José Moraes; pastor Firmino R., diácono Leocadio Pinheiro e a irmã Luzia Gonçalves.

E para terminar este ano cheio de atividades com este espírito de união, destaco a frase de meu avô: “A experiência tem nos mostrado que o indivíduo que se isola dos que tem vida semelhante tende a desaparecer, a mesma coisa se dá as igrejas”. (J. Daniel)

·       1929 :
- Há de se destacar neste ano um avivamento da União de Mocidade da Igreja Batista de Belém com diversas programações, de festas na casa de seu Irmão Manuel Vicente, em torno de 150 a 200 moços; um Instituto Bíblico, durante 1 semana, promovido pelo Pastor J. Daniel, e de seminários durante 8 dias com o missionário Zacharias Campello, que falou sobre seu trabalho entre os índios Kraôs.
- Mês de julho e agosto – relato das atividades da igreja, destacando que a Igreja que tem sob sua responsabilidade 9 congregações. E que no seu aniversário que será dia 14 de julho será lançado o jornal “O Batista Paraense”, cujos responsáveis são: Pastor João Daniel, Secretário Souza Barriga, Augusto Ferreira entre outros. Este jornal será de responsabilidade da igreja de Belém, e que depois ficará a cargo da Convenção, que se utilizará dele para dar notícias deste Campo. (O Jornal do Brasil noticia o recebimento do seu exemplar no dia 15/08/1929, p.15). Na linha do tempo encontra-se a foto da nova diretoria da Escola Dominical que foi empossada no dia deste aniversário, celebrando 28 anos de existência. (destaco o casal João Daniel e sua esposa Rosália).
- Os Batistas do Pará – carta enviada ao JB, publicada em 26/09, p.13, relatando sobre as necessidades deste Campo e sua realidade. Abaixo seguem alguns recortes desta carta, mas que vale ser lida na íntegra:
“Já temos demonstrado que a vastidão do nosso maravilhoso campo amazônico não nos permite as oportunidades evangelísticas dos estados do sul, porque além da extensão territorial de mais de 3 milhões de kilômetros quadrados, entrecortada de infinidades de rios, igarapés, igapós, temos  muitos outros obstáculos, sobretudo a falta de transporte. Apesar de tudo isso, os batistas estão na melhor fase do seu trabalho.”
“Em outros tempos sempre havia perseguições, intolerância (...), porém agora, temos pregado a grande número de pessoas que vêm de léguas de distância. (...) No fim das pregações quase sempre, recebemos convites para visitar outras zonas residenciais (vizinhos de 3 a 4 léguas de distância), e isto é muito difícil. (...), aqui é que se nota a falta de um pastor evangelista para o campo paraense.”
“O Pará pode se constituir em diversos pontos de atividades (...). Se não vejamos, as duas zonas que são ocupadas por nossa igreja: a primeira é abrangida pelo Guamá e o litoral, em cujo centro se estende a estrada de ferro até Bragança. Nesta vasta zona temos apenas duas igrejas (Castanhal e Inhagapy) e uma congregação (Iracema) com 14 crentes batizados um grande número de pessoas interessadas. A outra zona é a que chamamos do Baixo-Amazonas, que se estende até Obidos, à margem do portentoso rio Mar. Nesta temos cinco igrejas, incluindo Fordlândia, Tapajós. “Por isso, com a organização da Convenção Paraense em Santarém, no final de novembro, o pastor J. Daniel pretende ventilar estas questões”.
-Notícias de Castanhal, Pará – para JB, 3/10, p.16. Assinala que as visitas do pastor J. Daniel a esta igreja são mensais, e que por isso a igreja tem se reavivado. Notificando que a igreja possui em seu rol 44 membros.




[1] Os indígenas da Amazônia consideram-na a "mãe das árvores", É conhecida como "Árvore da Vida" ou a "escada do céu". Pelo seu diâmetro majestoso, muitas vezes formam verdadeiros compartimentos, transformados em habitações pelos indígenas, caboclos e sertanejos. Ao sobrevoar a região amazônica, qualquer um é capaz de identificá-la por sua altura, porte e beleza.

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