Cartas de João Daniel. Colônias de Castanhal. 19/07/1928.

Quando esta Carta foi escrita, o Pastor João Daniel já estava pastoreando a primeira Igreja de Belém do Pará. Uma das características daquela região era ter diversas igrejas e congregações sem pastores, por isso ele precisa visitar esses locais e ministrar as obrigações pastorais, como por exemplo casamentos, ceias e batismos. Esta carta foi publicada no Jornal Batista no dia 19 de julho de 1928.

OS BATISTAS DO PARÁ

Uma viagem evangelística as colônias de Castanhal

A Igreja de Castanhal há muito tempo sustenta uma congregação num local chamado Iracema, a margem do Igarapé Marapinim, que apesar de distar uns trinta e oito quilômetros da sede da Igreja, é uma das mais futuras que tenho conhecido. 
Quando assumi o pastorado da Igreja acima volvi minha atenção para esse centro de atividade evangelística e fiz logo a primeira viagem. Vendo que havia um bom número de interessados, voltei, fazendo uma segunda viagem. Algumas pessoas declararam que em uma outra viagem batizar-se-iam.
Voltando terceira vez fui com um grupo de dedicados irmãos de Castanhal, ficando por esta razão a viagem mais suave do que as outras.
Saindo de Castanhal as quatro horas da madrugada, chegamos ao local às 10 horas.
Nenhum incidente digno de nota houve durante as seis horas de viagem, apesar de ser feita com algumas senhoras e um menino; sendo esta uma das melhores que tenho feito por essas paragens sem nenhum conforto, nem outro meio de transporte que não o cavalo ou a tradicional canoa.
Os excursionistas que me acompanharam de Castanhal foram os seguintes: diácono João Justino, João André, Isabel Delphina, Maria Mello, Dina Aquino e o menino Jonas, sem falar no nosso cicerone, que foi o irmão Horácio, membro da congregação que íamos visitar. Lá já nos esperavam os irmãos Francisco Batista, ativo obreiro daquela zona João Xavier e alguns outros.
Também foram muitos e grandes os resultados e bênçãos espirituais da viagem. Não esperávamos tanto porém creio que mais receberíamos se mais confiássemos.
O resto do dia foi para pregações pessoas e ensaio de hinos com os irmãos e alguns congregados.
Combinamos pregar de noite em casa de um irmão congregado que havia sido perturbado por adeptos de doutrinas estranhas ao Novo Testamento. Esse é o irmão João da Cruz, chefe de uma grande prole, verdadeiro patriarca daquela zona de laboriosos agricultores.
Depois da pregação o irmão Cruz foi o primeiro a apresentar-se para professar a sua fé, e com ele os irmãos Manoel Silvestre, D. Luzia Josepha e D. Julia do Espírito. Marcamos o dia seguinte, às cinco horas da tarde, para realização dos batismos, na propriedade do irmão Cruz que com alegria indescritível tudo providenciou para que nada faltasse.
O ato foi precedido de uma alocução sobre o batismo bíblico, de maneira que quase todos os colonos da localidade ficaram orientados da maneira como Jesus foi batizado e como os apóstolos batizavam, muitos chegaram mesmo a comover-se.
A pregação da noite foi feita em casa da recém batizado irmão Manoel Silvestre. Foi uma reunião de grande poder espiritual. Pregou nessa ocasião o irmão João Justino, decano do trabalho batista em Castanhal.
Estávamos em tempo de regressar. Dormimos algum tempo e às 3 horas da madrugada estávamos tomando café da despedida. Ainda havíamos de atravessar o igarapé e igapó, numa extensão de aproximadamente 500 metros por cima de estivas. Apesar de alguns terem tido medo de servir de almoço aos jacarés, transpomos a ponte perigosa com pose de acrobatas e continuamos a viagem alegres e em perfeita paz até Castanhal.
Nesse mesmo dia, por ocasião da sessão da Igreja, foi reconciliado com a mesma o irmão José Ribeiro.
A Igreja Castanhal vai marchando firme cada vez mais. Suas finanças vão melhorando de uma maneira a causar entusiasmo. Chegando a Belém encontrei a Primeira Igreja que pastoreio, em plena paz e sem novidade alguma.
Estamos concentrando toda atividade possível para convidarmos nosso pastor itinerante, o que faremos quando for financeiramente possível.
A Primeira Igreja vai ter a honra de hospedar a Convenção Batista da Amazônia, nos dias 14,15 e 16 de Novembro próximo.
Vosso pelo Evangelho,
J. Daniel

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